terça-feira, 31 de maio de 2011

A ambiguidade

      A ambiguidade pode ser entendida como a possibilidade de uma palavra ou grupo de palavras possuírem mais de um significado, podendo, dessa forma, ser compreendida de diversas maneiras por um receptor.
Vejamos uns exemplos:

a)      Menino vê incêndio do prédio.
b)      Macaco esquecido no porta-malas é motivo de confusão.

     Observa-se que as sentenças acima admitem mais de um significado. No exemplo (a) podemos ter as seguintes interpretações: o menino viu o incêndio de algo do prédio onde estava, ou o menino viu o prédio ser incendiado. Já no exemplo (b) podemos inferir que o substantivo macaco pode ser um aparelho mecânico utilizado para levantar pesos grandes, ou um animal (primata).
     Nessas sentenças analisamos que a ambiguidade não ocorre da mesma forma. Em (a) o contexto dá ideia de duplo sentido; em (b) o fator que determina o significado ambíguo é o substantivo macaco.
     A ambiguidade é o fenômeno que pode ser gerado em virtude de diversos fatores. Observemos agora algumas classificações atribuídas a ela.

A ambiguidade lexical

     A mesma ocorre sempre que uma palavra admite pelo menos uma dupla interpretação num dado contexto, sendo que a mesma pode ser gerada por dois tipos de fenômeno: a homonímia e a polissemia.

1. A homonímia – constitui a ambiguidade lexical as palavras homófonas, isto é, que apresentam a mesma grafia e sentido diferente (homógrafa) e o mesmo som com grafia e sentidos distintos. (homófonas).

Ex.: Os ministros devem aterrar a qualquer momento.
(aterrar = causar terror / aterrar = aproximar-se do solo).

2. Polissemia – constitui ambiguidade lexical as palavras polissêmicas, ou seja, que possuem mais de um sentido.

Ex.: A rede foi cortada ontem à noite.
(rede = rede de deitar, rede elétrica, rede de computadores, etc).

A Ambiguidade sintática

      Ocorre quando apresenta problemas de ordem sintática quanto às funções que cada termo exerce nas orações. Na ambiguidade sintática há duplo sentido não em relação ao significado das palavras, mas em relação às funções dos termos.

Ex.: Eu li a notícia sobre a greve na faculdade. 

      Podemos interpretar esta sentença de duas formas: ou eu li a notícia estando na faculdade, ou a greve acontece na faculdade. Nota-se que a ambiguidade da sentença não é determinada pelo duplo sentido das palavras, mas pela funcionalidade dos termos.

A ambiguidade semântica

     Resultam das diversas possibilidades de significado das palavras que ocorrem nas frases. Vejamos o seguinte exemplo:

  Garoto leva gravata do próprio irmão e vai parar no hospital.

     No exemplo dado, a ambiguidade semântica resulta dos diversos significados da palavra gravata, que pode ser: uma tira de lã, seda ou algodão que se usa no pescoço; ou um golpe sufocante dado no pescoço.
     Podemos observar também a presença dos elementos ambíguos em ocasiões diferentes das sentenças. Observemos a sua inserção em outros contextos.

A ambiguidade nas piadas

     É muito comum vermos nos enunciados humorísticos, como as piadas, a presença constante da ambiguidade. Ela enriquece e possibilita ao ouvinte uma dupla interpretação do enunciado, além de proporcionar uma boa dose de humor.
Vejamos um exemplo:
Nota-se que a ambiguidade está na expressão pastel de um real. O cliente pede ao vendedor um pastel que custa um real, mas este entende que o cliente queria comer um pastel recheado com uma nota de um real. Com isso, percebe-se que o fenômeno da ambiguidade causou uma confusão na comunicação de ambos.

Observemos agora outro exemplo:
Neste caso, a ambiguidade está no verbo torcer. O vendedor explica para a cliente que ela deve torcer (girar) a tampa da garrafa, mas esta entende de forma errada e assim começa a torcer (vibrar) para a tampa abrir. Percebe-se também que a comunicação entre os sujeitos não foi bem sucedida, em virtude do duplo sentido. 

A ambiguidade nas imagens

     Outras situações que nos permitem múltiplas interpretações são as que se apresentam através das imagens. É possível verificarmos a ambiguidade por meio de fotos, desenhos, gravuras e etc.
Vejamos:
A imagem permite que o observador atribua mais de um significado para a imagem, dependendo do enfoque ou da ótica de quem vê. Olhando ligeiramente, tem-se a impressão que se trata de um casal de velhinhos olhando um para o outro, mas ao analisar bem a cena, podemos perceber que são duas pessoas: uma tocando violão e outra segurando um pote na cabeça. Ao longe, percebe-se outra pessoa saindo de uma sala, sendo que o ambiente retratado parece uma espécie de palácio. Neste caso, a ambiguidade permite que vejamos mais de uma cena, retratada na mesma imagem.
     Como se pode ver, o fenômeno da ambiguidade ocorre em virtude de diversos eventos linguísticos, sendo que não está presente apenas em enunciados, mas também em imagens, piadas, músicas, entre outras situações em que o receptor possa inferir mais de uma interpretação.


REFERÊNCIA:
BRÄSCHER, Marisa. Revista de Ciência da Informação. A ambiguidade na recuperação da informação. v. 3. n. 1. fev / 02.
CANÇADO, Márcia. Manual de semântica: noções básicas e exercícios. 2. ed. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2008.
FONTE DAS IMAGENS:
Disponível em <http://www.google.com.br> Acesso em 22 março 2011.

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