9 de março de 2009

Eróticos



teu corpo deitado
acorda desejos
não confessados


meus dedos-olhos
desvendam sem pressa
doces mistérios


palmo a palmo
dedo a dedo
inicio teu percurso

25 de fevereiro de 2009

O Amor


ao te adorar
não sei mais se tens
corpo ou altar...

sabor cereja -
minha boca
a tua deseja

fruta mordida -
saudade de teu beijo
na despedida

23 de novembro de 2008

Do bom - Millôr

Se o cão uivante
A lua vira
Quarto Minguante


Por fim se descobriu
o soldado desconhecido
é um civil


não esmaguem a barata
sua nojeira
é inata



será que o doutor
cobra pela cura
ou cobra pela dor?

Exótico
O xalé da velha
Na jovem é apoteótico

SOBRE O AUTOR

Nasceu Milton Viola Fernandes, tendo sido registrado, graças a uma caligrafia duvidosa, como Millôr, o que veio a saber adolescente. Aos dez anos de idade vende o primeiro desenho para a publicação O Jornal do Rio de Janeiro. Recebe dez mil réis por ele. Em 1938 começa a trabalhar como repaginador, factótum e contínuo no semanário O Cruzeiro. No mesmo ano ganha um concurso de contos na revista A Cigarra (sob o pseudônimo de "Notlim"). Assumiria a direção da publicação algum tempo depois, onde também publicaria a seção "Poste Escrito", agora assinada por "Vão Gogo".

Em 1941 volta a colaborar com a revista O Cruzeiro, continuando a assinar como "Vão Gogo" na coluna "Pif-Paf". A partir daí passa a conciliar as profissões de escritor, tradutor (auto-didata) e autor de teatro.

Já em 1956 divide a primeira colocação na Exposição Internacional do Museu da Caricatura de Buenos Aires com o desenhista norte-americano Saul Steinberg, e em 1957 ganha uma exposição individual de suas obras no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Dispensa o pseudônimo "Vão Gogo" em 1962, passando a assinar "Millôr" em seus textos n'O Cruzeiro. Deixa a revista no ano seguinte, por conta da polêmica causada com a publicação de A Verdadeira História do Paraíso, considerada ofensiva pela Igreja Católica.

Em 1964 passa a colaborar com o jornal português Diário Popular. Em 1968 começa a trabalhar na revista Veja, e em 1969 torna-se um dos fundadores do jornal O Pasquim.

Nos anos seguintes escreveria peças de teatro, textos de humor e poesia, além de voltar a expor no Museu de Arte Moderna do Rio. Traduziu, do inglês e do francês, várias obras, principalmente peças de teatro, entre estas, clássicos de Sófocles, Shakespeare, Molière, Brecht e Tennessee Williams.

Depois de colaborar com os principais jornais brasileiros, retorna à Veja em setembro de 2004.

Site Oficial de Millôr

23 de agosto de 2008

As Borboletas


As borboletas
nunca choram. Olhem-nas,
elas orvalham.

Chris Herrmann

11 de junho de 2008

Para o Dia dos Namorados


O seu sorriso
Pousa no meu sorriso.
Sorrimos juntos.

Letícia Bergallo

Palavra-Imagem

Autor da composição gráfica:
Ailton Bedani
( 26.03.02 )

Imagem produzida a partir de um haikai de Otami Kubutsu (1875-1943), traduzido em Haikai - Antologia e História (organizador: Paulo Franchetti), Ed. da Unicamp, 1990

10 de junho de 2008

Angela Togeiro

No bico do pássaro,
se o sol leva a escuridão,

vaga-lume é inseto.


Traças nos armários,
destroem qualquer passado,
roendo o inútil.

23 de abril de 2008

Cocktail

Um aperitivo
Tequila, sumo de lima,
Bela margarita!

José A. Martins

Letícia Bergallo

Vaga-lumes
lan(ternas) tão fugazes:
"alvos" no escuro.

Frestas em festa:
a fé me empresta
um pouco de luz.

Cigarro aceso:

brasa que ateia luz
nas tuas sombras.



Viagens Naturais

O sol poente
despede-se lentamente
do ipê no campo.

Toque colorido
na ponta do capim

pousa a borboleta!


Devagar devagar,
a folha sem escolha,

vaga pelo ar.


Rio seco
Silêncio sob a ponte
apenas o vento.

Folhas soltas
só uma contra o vento?
Borboleta amarela!

Lua enevoada
o cão e sua solidão
caminham na estrada.


Asa quebrada
da triste gaivota
sonho de voar !

Haicais de Rodrigo Siqueira

Espalhando Letras

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Daniela Milagres
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Mais um Pouco...

Há muito mais para dizer sobre o haicai. Por que praticamos o haicai? Será que o número de sílabas realmente importa, ou as letras maiúsculas usadas no início de seus versos garantem maior fidelidade à forma? Qual a importância da pontuação em um haicai? Qual a relação entre haicai e zen? Por que é preferível não usar a personificação em um haicai? Quanto que podemos confiar nas traduções feitas sobre haicais?

  © 'Sobre as Letras' Por EMPORIUM DIGITAL 2008

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